terça-feira, 29 de julho de 2008

Pais e Filhos

Por Míriam Schnomberer de Souza - Psicóloga Triambakanica

Nossos pais são filhos, nossos filhos serão pais. Como dizia o poeta: "são crianças como você o que você vai ser quando você crescer..." Crescer, esta é uma condição da raça humana estamos sempre crescendo. Nos modificamos, adaptamos, estruturamos, desestruturamos, o tempo inteiro evoluímos. Nossos pais são nossas primeiras referências, nossa mãe foi certamente o primeiro ser humano a nos olhar nos olhos e nomear nossa existência e a partir deste momento foi simbolizado o nosso eu. Podemos discordar dos nossos pais e rejeitar a identidade que eles moldaram para nós, cômoda, fixa, cheia de boas intenções, mas vazia, tal como o casulo não servindo mais para a borboleta pronta para alçar vôo com sua nova existência é abandonado. Mas mesmo rejeitando o casulo precisamos dele para crescer e esquecer que um dia fomos uma lagarta desforme, que precisou de cuidados para a metamorfose se completar.
Os valores que hoje aceitamos ou negamos vieram destas figuras parentais que nos constituíram e são parte vivas e partes imagos em nossa mente. Os pais reais e os pais da nossa fantasia formam em nossa psiquê o primeiro elo social, o nosso pacto de socialização onde pagamos com nossa vida e originalidade, este é o preço, o privilégio de gozar da vida em sociedade.
O ser humano é um ser gregário por natureza, precisa do outro para viver, viver não sobreviver. Optamos em sobreviver, criamos regras, direitos e deveres a serem cumpridos e que certamente beneficiam uma minoria que está muito bem obrigado. Nossos pais reproduzem aquilo que aprenderam quando filhos e repassam para nós sem questionamentos as regras do jogo, porque eles desejam profundamente que neste jogo nos tornamos vencedores. A pergunta que faço é: Estamos felizes jogando? Você deseja que seu filho seja um vencedor, e irá reproduzir no papel parental as regras que aprendeu com seus primeiros objetos de amor e depois na escola, e na vida em sociedade. Mas, e a felicidade? Existem estudos que tentam comprovar que a felicidade assim como a liberdade não existem são criações da mente humana, meras ilusões. Mas eu ouso em questionar tal pensamento, acredito que felicidade e liberdade são o que constituem o ser humano e a moeda de troca que utilizamos para pagar nosso pacto de mediocridade coletiva. Acredito que podemos acordar desta ilusão, que todos queremos a felicidade e a liberdade de sermos felizes. Mas precisamos acordar os zumbis do meio dia. Precisamos acreditar na originalidade das crianças e descobriremos com elas como devemos criá-las. Que mundo elas desejam, que sociedade querem construir. Um jogo corporativo onde todos são vencedores, educar nossos filhos e ser educados por eles. Ser pai e mãe é um presente fantástico, a oportunidade de reeditarmos a nossa própria condição de filhos, resgatar nossa originalidade perdida, educar para o novo, o desconhecido o original o vir a ser. Que sociedade linda podemos começar agora se estivermos dispostos a nos desapegar do que não serve mais e enxergamos que o preço tem sido muito alto. O nosso medo foi construído ele não tem razão de ser.

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